A obra onde ocorreu um acidente de trabalho na manhã desta quarta-feira, em Porto Alegre, estava regular, segundo o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Rio Grande do Sul (Crea). Em duas fiscalizações, havia sido constatado que a obra tinha engenheiros responsáveis e capacitados para o serviço. A queda de um elevador de obra nesta manhã na Rua Laurindo, próximo à esquina com a Avenida João Pessoa, deixou um trabalhador morto e dois feridos.
Segundo o presidente do Crea, engenheiro Luiz Alcides Capoani, duas vistorias foram realizadas no local da obra em 2010.
— A primeira foi em fevereiro e a outra, em outubro. Nas duas ocasiões, os nossos fiscais constataram que a obra tinha engenheiros responsáveis para cuidar de questões como estrutura, instalação elétrica, equipamento de proteção e elaboração de plano de manutenção do elevador de obras — explicou Capoani.
No acidente, Claudinei dos Santos Fernandes acabou morrendo. Fabiano da Luz Garcia está no Hospital de Pronto Socorro (HPS) e Luiz Celso Huhneer da Silva, no Hospital Cristo Redentor.
O acidente ocorreu em um prédio antigo que passa por uma ampliação. Segundo o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar, Rogério Maciel, existem quatro andares em uso no prédio e outros oito estão em construção.
O cabo de segurança do elevador rompeu-se quando os operários estavam no 12º andar.
— O elevador despencou e foi travando pelo fosso abaixo até mais ou menos o quarto andar. Dali, desceu em queda livre até o solo — afirmou o tenente Guido Bernardi, também do 9º BPM.
A estrutura do elevador foi construída especificamente para o transporte de operários que trabalham na obra. Segundo os próprios funcionários, os trabalhos no prédio são realizados há várias décadas. No período, a obra sofreu embargos pela fiscalização.
— Não temos o poder de embargar uma obra. Quando nós constatamos que alguma obra não tem engenheiro responsável, podemos notificar e aplicar multa. Também comunicamos a prefeitura para que tome providências. Por isso defendemos uma fiscalização em conjunto com bombeiros, prefeitura e Ministério do Trabalho. Não é só para proteger a cidade. É para proteger a vida de todos — concluiu o presidente do Crea.
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